Nos últimos anos, acompanhei de perto a transformação acelerada do mercado de telecomunicações no Brasil, especialmente no segmento dos provedores regionais. E se tem algo que ficou evidente nesse tempo é que o mercado mudou, e quem continuar operando da mesma forma, vai perder mercado.
Hoje não existe mais uma base significativa de clientes “sem internet”. O Brasil está conectado, e os acessos já atingem uma maturidade que exige mais estratégia, mais diferenciação e mais eficiência. Ao mesmo tempo, o custo para manter e crescer uma operação aumentou. O churn está alto, o ticket médio em queda e a concorrência cada vez mais agressiva, seja de outros provedores ou de grandes operadoras que avançam com ofertas padronizadas e uma estrutura pesada de marketing e preço.
O cenário está claro: crescer apenas com aquisição de novos clientes já não é uma estratégia suficiente. O provedor que quiser continuar relevante vai precisar jogar em outro nível e isso passa por três pilares fundamentais:
- Governança
- Eficiência operacional
- Posicionamento de marca
É nesse contexto que o modelo de franquias começa a ganhar força.
Claro que franquia não é solução mágica.
Não é para todo mundo.
Mas, para provedores entre 4k até 12k de clientes que buscam escala com estrutura, padronização e suporte, esse pode ser um caminho interessante. Especialmente quando a marca franqueadora oferece:
- Exclusividade territorial, garantindo competitividade e previsibilidade;
- Treinamento técnico e comercial, reduzindo o tempo de maturação das equipes;
- Gestão centralizada de marketing e produtos, com foco em diferenciação e valor percebido;
- Economia de escala em compras e tecnologia, o que é vital em tempos de margem apertada;
- E principalmente: uma marca forte, com reputação e confiança no mercado.
Isso ajuda a resolver um dos grandes dilemas dos provedores médios e pequenos: como crescer sem perder controle? Como continuar competitivo, com uma operação eficiente, sem abrir mão da identidade local? Como entregar mais valor para o cliente final, com inovação, sem comprometer o caixa?
O modelo de franquia, bem estruturado e com governança clara, pode ser uma resposta.
E aqui não se trata de abrir mão do negócio, mas de ganhar musculatura. De ter acesso a inteligência de mercado, novos produtos, gestão de marca e processos que já foram validados. Em outras palavras: é transformar o provedor de internet em uma empresa mais madura, competitiva e preparada para o futuro.
O movimento do mercado é inevitável.
A consolidação vai continuar. Os grandes vão ficar maiores. Os médios vão ter que escolher entre escalar ou especializar. E os pequenos que quiserem sobreviver, precisam de clareza sobre o próprio modelo.
O modelo de franquias pode ser, para muitos, a ponte entre a sobrevivência e o crescimento sustentável.
A pergunta que fica é: o seu provedor está pronto para dar esse passo?
Matheus Cofferri